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quinta-feira, 23 de abril de 2015

As cirurgias plásticas na política

Leio no DN: «Jeb Bush perdeu vários quilos com dieta do paleolítico e o também republicano Chris Christie colocou banda gástrica. Há boatos de que a democrata Hillary Clinton terá feito um lifting».

A imagem é extremamente importante como todos sabemos, mais ainda quando é a televisão o veículo essencial de uma campanha política e na América uma corrida presidencial dura mais de um ano.

Em novembro de 2014, a revista Vanity Fair dizia das presidenciais americanas: «É um concurso de beleza». Não é. Mas sem imagem é mais complicado, com gordura a mais é mais complicado porque a televisão engorda, e um candidato deve trazer em si um elixir da juventude, que numa candidata como Hillary que tem quase 70 anos tem de rejuvenescer.

Uma campanha política é, sem dúvida, na globalidade, uma operação de cosmética. Onde se apresenta o melhor de um candidato, onde se aparam os seus defeitos e se acentuam os defeitos dos outros. As cirurgias plásticas do marketing político são normais, as cirurgias plásticas e outros tratamentos de beleza dos candidatos ainda são notícia.

terça-feira, 14 de abril de 2015

António Ferro: o inventor do salazarismo

Do excelente livro do jornalista Orlando Raimundo, publicado com a chancela D. Quixote, que recomendo leitura, e que tem por título o mesmo do post, retirei vários ensinamentos.

Em primeiro lugar, a curiosidade de perceber melhor o primeiro marqueteiro português e a grande manobra de marketing que conduziu no Diário de Notícias com as suas entrevistas a Salazar.

Depois, já a comandar a propaganda do regime, da qual nunca foi ministro - uma das maiores desilusões de toda a vida - encenou diversos momentos e criações que hoje fazem parte da tradição portuguesa: o galo de Barcelos, as marchas populares, Manoel de Oliveira e a Tóbis, onde, com António Lopes Ribeiro, construiu uma indústria do cinema que realizou os clássicos portugueses que todos conhecemos do pobretes mas alegretes.

Com ele, a ideia de que para vender Portugal, e o seu regime, no estrangeiro, tem de se apostar na vinda de jornalistas, de artistas de diversas artes e da implantação da marca Portugal nas exposições universais, algo que faz parte da cartilha actual da promoção de qualquer país.

Mas ao contrário da percepção existente, aliás semeada pelo próprio Ferro, o retrato que lhe pinta não é o melhor. Não é nenhum génio vanguardista, mas um serventuário de um regime em que sempre acreditou. Manipulou a sua carreira de jornalista para cair nos braços de Salazar, sendo que o seu herói verdadeiro era Mussolini. Mas vivia em Portugal e o homem que pouco sorria e não se divertia com a vida foi o que serviu na sua vida de poder e criação de poder.

Por isso, uma lição que retiro, é que para encenar, comandar e influenciar a vida dos outros, é preciso sermos génios na criação da nossa própria personagem. Ferro era um mestre na criação de si próprio.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A propaganda para o marketing político

«A propaganda está para o marketing político como a publicidade está para o marketing comercial. Ambas são actividades de persuasão».

Edson Athayde, «A publicidade segundo o meu tio Olavo», Chiado Editora

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Alessandra Augusta marqueteira do PSD

Pois o PSD, e bem, também acompanha o marketing. Nesta campanha eleitoral tem uma mineira, marqueteira, a trabalhar na sua equipa. De seu nome Alessandra Augusta.

Esta notícia, ao contrário da Laurinda Alves que publiquei com ponto de interrogação, pois era apenas uma possibilidade ventilada nas hostes sociais-democratas, mas uma boa possibilidade se fosse alcançada, está confirmadíssima.

Alessandra Augusta está a trabalhar na S. Caetano. É para acompanhar e combater a afinadíssima máquina de marketing de José Sócrates, o tal que era um produto de marketing.

terça-feira, 22 de março de 2011

Hoje vou ao ISCSP conferenciar

Integrado no 1º Fórum de Ciências Sociais e Políticas, aceitei o convite para hoje, às 18 horas, ir ao ISCSP intervir juntamente com Nilza de Sena (ISCSP/PSD) e o professor Manuel Meirinho (do ISCSP) sobre o tema: "A importância dos media na construção da imagem política/Marketing Político"

Quem quiser que apareça.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Passos Coelho perdeu boa imagem?

O Jornal de Negócios decidiu, ontem, ouvir «especialistas em comunicação política», no caso, eu e o director da Agenda Setting, sobre se Pedro Passos Coelho perdeu a boa imagem por causa desta proposta de Revisão Constitucional. E fez 3 perguntas:

1 O timing de anúncio desta proposta foi o ideal?

Respondi: O timing não foi o ideal. Vivemos a muito falada silly-season e naturalmente os portugueses querem ir para banhos, a sua atenção está focada noutras coisas. Depois, a proposta é apresentada muito em cima da data das próximas eleições presidenciais o que pode condicionar o debate. Cavaco não quer falar disso, Alegre só quer falar disso.

2 Face às sondagens que indicam que Pedro Passos Coelho está com uma imagem muito positiva junto dos portugueses, comparativamente com Sócrates, é possível que ele perca essa vantagem?

Respondi: Acho que não. Ele não perde a boa imagem por causa desta proposta. Neste momento Portugal vive o regresso de uma onda laranja, como o indicam todas as sondagens. Passos encarnou a mudança, Sócrates está com uma imagem muito fustigada e dificilmente recuperará.

Além do mais, as questões de regime, hoje em dia, interessam pouco aos portugueses porque não lhes tocam no seu bolso. O que estes querem é soluções para a crise que Portugal atravessa, por isso esta proposta de Revisão não choca com a expectativa positiva que rodeia o novo líder do PSD.

3 O ataque do PS pode conseguir dar nova força a Sócrates e o equilibrar das coisas nas sondagens?

Respondi: Está provado, historicamente, que quando o PS ataca ferozmente, mesmo com agressões verbais, isso é sinal de muitas dificuldades. E esse sinal é que o PS está a correr atrás da agenda imposta pelo líder do PSD. Por isso, vai ganhar muito pouco com isso.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

«Rubriquei, não assinei»

Confesso que estou preocupado com o Brasil. Sendo um país maravilhoso, muitas vezes ainda é muito pouco esclarecido.

Com a possibilidade de ter um Presidente, pouco carismático é certo, mas de eleição, de categoria mundial, as sondagens mostram que a popularidade de Lula é mais forte que a preparação de José Serra.

Dilma é uma mulher que nem tinha sonhado ser candidata e nestas coisas da política o afâ, a vontade de ser, é muito importante.

Dilma é fraquíssima. A prova é a entrega dos programas eleitorais, em que a candidata provou, e reconheceu, que nem leu o programa. «Rubriquei, não assinei».

Dilma é um produto guiado por especialistas de marketing, teleguiado diariamente consoante o valor das sondagens. Serra tem ideias próprias e a sua maneira de encarar a política.

Serra não liga à imagem, Dilma foi toda retocada para passar melhor. Serra precisa de vitórias expressivas em S. Paulo e Minas Gerais, mas nos palanques para Governador o PT apostou forte para contrariar Alckmin (o candidato do PSDB) e a força de Aécio que se retira para senador nos dois Estados.

E para quem quiser espreitar e ver a imitação brasileira do Will I. Am, de Obama, já há um rapaz o Dilmaboy, que agora parece que virou para Serraboy. Para mais desenvolvimento das coisas do Brasil pode espreitar aqui.

sábado, 10 de abril de 2010

Serra vs. Dilma

José Serra lançou finalmente a sua candidatura à presidência do Brasil. E é o melhor candidato.

Grande governador de S. Paulo, magnífico secretário da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, homem sério e íntegro, discreto mas eficiente.

Em comum com Dilma Roussef, a candidata do PT apoiada por Lula, tem a falta de carisma.

Não serão eleições espectaculares, mas vamos ver o que os magos do marketing político, Luis Gonzalez (de Serra) e João Santana (Dilma) terão para apresentar e no Brasil aprende-se sempre nesta área.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Lula e Dilma

No Congresso do PT vamos assistir à maior das manobras de promoção da democracia brasileira.

Lula meteu na cabeça que Dilma é que é. Que o Brasil ficará bem se ele for sucedido e governado por uma mulher.

Nesta fase promocional que já comecou, em que Dilma Roussef tem aparecido sempre nas grandes ocasiões com um presidente que os brasileiros amam, a ministra tem um grupo contra ela já no facebook e no twitter e tem estado carregada de "gaffes". E eu confesso que também não sou fâ.

É um jogo difícil, também de uma vida, de um homem que marcará a história do Brasil. Mas nesta fase, com carnaval à mistura e com um Big Brother Brasil 10, o mais arco-íris de sempre com três gays, dois pitbulls, uma dançarina de discoteca, um bom rapazinho, um casal apaixonado e uma dentista/boneca linda (a Fernanda) este congresso está ameaçado pela falta de atenção que pode despertar.

O melhor candidato no terreno é José Serra (o meu preferido seria Aécio Neves, governador de Minas Gerais), o magnífico governador de S. Paulo, com uma enorme tarimba e uma enorme popularidade.

O PSDB sonhou com a chapa puro-sangue, Serra/Aécio, S.Paulo/Minas (que garantiriam dois terços de dois dos Estados mais importantes) mas isso não irá acontecer. O PT sonha juntar as suas fichas com o melhor da organização partidária mais articulada o PMDB, mas será um combate difícil, numa das eleições mais interessantes de acompanhar para quem gosta de marketing político.

PS: tenho pena que o nosso amigo Nuno Gouveia esteja focado nos Estados Unidos, se não estiver e gostar do Brasil convido-o para escrever aqui sobre o nosso belo e fraterno país-irmão.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Campanhas fora do comum

Em política, qualquer especialista em marketing político o diria, o fundamental para uma campanha eficaz é puxar pelo melhor do seu candidato, tentando disfarçar os seus pontos fracos.
Na Costa Rica, um país democrático e que nem tem exército, num momento em que os seus habitantes duvidam da qualidade dos seus políticos, surge uma nova tendência que é dizer logo tudo o que é mau para se escolher o mal menor.
Vejam aqui o que foi feito nos anúncios publicitários dos seus candidatos.
A seguir por cá?