terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Estratégia, criatividade e Tim Maia

Nas agências de comunicação há a tendência para classificar os profissionais mais criativos como os melhores estrategas. É um erro.
Estratégia é uma das mais belas palavras, mas muitas vezes mal utilizada.
Um estratega pode ser criativo e um criativo pode ter visão estratégica, porém os dois conceitos não são sinónimos.
Um criativo é um poço sem fundo de boas ideias, um estratega é um analista e depois um decisor.
Estratégia, na sua definição inicial grega "strategos", significa a arte do general.
Um general tem uma visão mais ampla do campo de batalha, conhece o terreno, os seus homens e tropas, as condições naturais e deve ser um conhecedor da natureza humana para ser um bom motivador e partir com condições de vitória para a batalha.
Daí o seu posicionamento que com o tempo se foi afstando do teatro de guerra, colocando-se numa posição elevada para melhor ver tudo. Evitando o corpo a corpo que traz maiores riscos.
Um estratega tem uma leitura global e naturalmente precisa de criativos.
Pode-se dizer que entre um estratega e um criativo há uma aliança natural, por vezes dependente, no entanto confundi-los é um erro.
Porém, há outras definições. Só um génio louco como Tim Maia, grande cantor brasileiro, podia criar a sua definição própria. Ele tinha um pacto com a sua banda quanto ao pagamento dos honorários. Aguardavam até ao início dos shows, subiam ao palco, mas se o empresário não pagasse ele dizia para a banda: "estratégia" e iam todos embora.
Pela sua saudável loucura Tim Maia era um criativo e não um estratega.
Já Napoleão era um estratega brilhante: «Na estratégia, decisiva é a aplicação».

Sem comentários:

Publicar um comentário