sexta-feira, 4 de maio de 2012

Voltaire e o ser português

Para quem nunca conheceu essa personagem, eternamente optimista, chamada Cândido, criada por Voltaire, deixo a sugestão que por 8 euros podem comprar o livro, edição Tinta da China (havia uma antiga da Guimarães Editores, se bem me lembro, mas não a tenho aqui à mão para confirmar), na Feira do Livro e a edição é linda e vem com ilustrações fantásticas.

Mas por que é que falo no Cândido? Porque nas suas deambulações, este personagem passa por Lisboa, por alturas do Terramoto de 1755. Eis o que escreve Voltaire na página 31:

«Depois do terramoto que destruíra três quartos de Lisboa, os sábios do país não acharam meio mais eficaz de prevenir uma ruína total do que oferecer ao povo um belo Auto-da-Fé; foi decidido pela Universidade de Coimbra que o espectáculo de algumas pessoas queimadas em fogo brando, numa grande cerimónia, é um segredo infalível para impedir a terra de tremer». Depois da cerimónia, no mesmo dia «a terra voltou a tremer».

Portugal é isto, anquilosado nas velhas fórmulas, nos mesmos sábios que permitiram o colapso do País. Alguns séculos depois, ainda continuam muitos Autos-de-Fé.

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