domingo, 6 de maio de 2012

Sarkozy e Hollande

A França toma hoje a decisão final sobre quem a vai conduzir. A França é um gigante em estado letárgico, uma dívida de 90 por cento do PIB e um desemprego de mais de 10 pontos.

Mas mais do que do político, a França está cansada do homem Nicolas Sarkozy. É esse o fenómeno de repulsa e é raro numa eleição o político com o maior índice de rejeição ganhar. Hollande é um banana sem carisma, mas herda o Eliseu porque nunca é a oposição que ganha uma eleição, é quem está no poder que a perde.

Eu sempre gostei de Sarkozy, sobretudo pela sua capacidade estratégica de acção política e o seu sentido comunicacional, mas isso é o meu ponto de vista, e eu trabalho em comunicação. Porém, foi exactamente na comunicação que falhou.

Quando transformou os assuntos do Estado - e o amor dos homens de poder é um assunto de Estado - numa novela de revistas cor-de-rosa e na sua frequente companhia de milionários e gosto pelo luxo.

Sarkozy não é tão mau como o pintam hoje. Ao Guardian, um analista francês dizia que Sarko «não parece feito da massa de que devem ser feitos os Presidentes franceses». No último debate o actual inquilino estoqueou Hollande com esta: «De Gaulle e Mitterrand também não eram homens normais». Mas como diziam, «Sarkozy parece estar sempre a esforçar-se para ser mais do que os outros pensam que é».

Sarkozy é um hábil político, como provou nas últimas semanas, mas não foi um bom presidente. Hollande nunca governou nada na vida, é um político de penumbra, desprovido de carisma e com alma de amanuense. Agora, graças à sua companheira que o aconselha, perdeu 12 quilos, pintou o cabelo e usa óculos rectangulares.

Parece pouco e muito pouco se sabe dele. Mas a Europa vai depender muito desta eleição e Hollande é uma incógnita.

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