quinta-feira, 29 de julho de 2010

A aposta do Correio da Manhã

O mais novo reforço do Correio da Manhã, que pode ler no Briefing sendo que quem a deu em primeira mão foi o Jornal de Negócios, faz-me reconhecer algo.

Há uns anos atrás, quem trabalhava no jornalismo, ouvia o aforismo de que quem amarrotasse o Jornal de Notícias arriscava-se a que corresse sangue, tal era o número de notícias de crimes que este jornal que é líder a Norte do Mondego trazia.

O Correio da Manhã, com pezinhos de lã, e com muito trabalho do João Marcelino, conseguiu ir galgando terreno, tornando-se o jornal diário mais lido do país.

A aposta num jornal popular foi clara. Notícias de crimes, e bizarras, novas secções explorando o "beatiful people" e umas meninas descascadas (os mais sexys do país foi excelente aposta) e muita informação desportiva. Sem deixar de apostar na investigação e na polémica.

Com Octávio Ribeiro a aposta manteve-se, mas o CM tem dado um salto para outras águas. Tem contratado bons jornalistas, apostado na política e escolhendo mais nomes para a opinião (João Miguel Tavares, sempre uma delícia, José Eduardo Moniz ou João Pereira Coutinho, por exemplo).

Ainda ontem li sobre uma mulher que desconhecia que estava grávida e deu à luz na sanita. Mas o crescimento do CM de mero jornal popular e sensacionalista para um jornal popular credível é um salto qualitativo que elogio.

PS: Não sei se têm reparado, mas desde que o PSD anunciou a intenção de privatizar a RTP, o Correio da Manhã tem estado mais crítico de Sócrates. Paulo Fernandes, líder da Cofina, não quer perder a oportunidade de arrebatar o que lhe falta: um canal televisivo.

PS2: E logo após a publicação deste post, uma amiga jornalista do Correio da Manhã me chamou a atenção de outra aposta que é o multimedia e a informação on-line, com muitos milhares de leitores, com uma nota pessoal minha para um excelente jornalista que comanda nestas áreas que é o Leonardo Ralha.

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